Domingo, 13 de Novembro de 2011

Opinião - "Contigo Para Sempre", de Takuji Ichikawa

         Comovente, sem dúvida. Uma grande lição de vida sobre como aproveitar segundas oportunidades e aprender a dar realmente valor àquilo que temos, por muito pequeno e insignificante que isso possa parecer.
     Porquê escolher para marido alguém tão problemático? Porquê arriscar numa vida que só nos irá trazer chatices? Porquê optar por algo que fica aquém de um sonho de vida? Porquê abdicar de uma vida ao lado de alguém que nos poderia dar tudo aquilo que queremos a favor de outrém que não o pode fazer? Porquê viver um aparende pesadelo quando está nas nossas mãos escolher e lutar por viver o sonho?
           É a tudo isto que Takuji Ichikawa nos vai dar resposta neste pequeno mas intenso romance auto-briográfico. Contudo, não o faz através das palavras. Fá-lo-á, sim, através dos três protagonistas que nos são apresentados e cuja história de família irá conquistar e comover inúmeros corações. Serão, pois, Mio, Takumi e Yugi que nos irão mostrar que, por detrás de uma aparente infelicidade, tão negra e inglória, podem estar os maiores tesouros e alegrias de toda uma vida.
          Apesar da encantadora prosa do autor e do conceito subjacente a toda a história relatada por Takumi, os excessivos diálogos chegam-nos, por vezes, como repetitivos, ocos e, de certa forma, dispensáveis. Se Takuji Ichikawa tivesse trocado algumas páginas de diálogos ou algumas linhas das dezenas e dezenas de "A sério?"s que surgem ao longo da obra por debates emocionais e profundos, de carácter pessoal e secreto, pensamentos e outras reflexões que tais, não perdia nada. Antes pelo contrário. Conferiria à história da família Aio um cariz emotivo ainda mais apelativo e arrebatador para além daquele de que é dotado.
          Independentemente deste aspecto menos positivo com que me deparei ao longo da leitura, e de um ou outro detalhe menos credível e demasiado associado ao sobrenatural, Contigo Para Sempre é, na sua essência, uma doce e encantadora leitura. Mais do que um livro, é um abrir de olhos para aquilo que nos rodeia. Gosto, aliás, de pensar neste livro como um mapa do tesouro - esse intrigante guia com várias pistas e enigmas que, uma vez interpretados, nos conduzirão àquele grande baú de preciosidades que tanto ambicionamos.

Texto de Margarida Cruz